Moradores de rua alcoólicos geralmente começam a beber ainda quando crianças

OBID – Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas

Um novo estudo fornece insights detalhados sobre pacientes dependentes de álcool sem-teto, muitas vezes estigmatizados pelo público e por formuladores de políticas públicas como drenos de recursos do sistema de saúde, mostrando as variadas razões pelas quais eles são incapazes de escapar de circunstâncias sociais que se perpetuam e agravam os seus problemas. O estudo, publicado on-line na revista Annals of Emergency Medicine, foi realizado no Hospital Bellevue, em Nova Iorque, que tem uma longo histórico de serviço à população indigente da cidade.

“Cem por cento dos pacientes incluídos no estudo começaram a beber álcool quando crianças, tornando-se dependentes pouco depois”, disse o autor do estudo, Ryan McCormack, da Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque. “Para as pessoas que têm casas e postos de trabalhos, é difícil imaginar o nível de desespero que estas pessoas experimentam a cada dia, ou o seu foco em conseguir a próxima dose que substitui mesmo o instinto mais básico de sobrevivência humana. A maioria não vem ao meu pronto-socorro voluntariamente, mas acabam por lá por causa de intoxicação em público. A maioria dos pacientes neste estudo deixou o hospital antes da conclusão do atendimento médico”.

O Dr. McCormack e sua equipe entrevistaram 20 desabrigados, pacientes dependentes de álcool que tinham quatro ou mais visitas anuais ao serviço de urgência do Hospital Bellevue por dois anos consecutivos. Todos começaram a beber na infância ou na adolescência, e 13 relataram ter pais alcoólicos. Treze pacientes relataram ter sofrido abuso infantil. Dezenove ou foram forçados ou optaram por sair de casa aos 18 anos. Apenas um era casado. Nenhum dos participantes estava empregado. Os três que eram veteranos militares disseram que a vida militar havia aumentado seu consumo de álcool.

O alcoolismo foi citado como a principal razão para viver na rua. Onze pacientes tiveram diagnósticos psiquiátricos nos espectros de psicose, humor ou ansiedade. 20 relataram ter participado de programas de desintoxicação em algum momento no passado. Um ano após as entrevistas para o estudo, um quarto dos pacientes havia morrido como resultado direto de seu alcoolismo de câncer de fígado ou de pulmão, acidentes de carro, assalto ou hipotermia.

“À medida que a sua capacidade de imaginar um futuro diminui, eles cada vez mais perdem a motivação para a recuperação pessoal”, disse McCormack. “Um alcoolista é antes de tudo um ser humano. Nossa hipótese é que intervenções centradas nos pacientes mais acessíveis, que apóiem medidas de redução de danos do álcool e melhoria da qualidade de vida podem ser traduzidas na definição do serviço de emergência para essa população”.

Fonte.: Medical News Today via UNIAD